jul 20, 2026 | Gestão de pessoas

Licença-paternidade: entenda como era e o que muda com a nova lei 

Quando uma criança chega, muda tudo: a rotina da casa, o sono, as prioridades, os cuidados e, claro, a vida da família inteira. 

Por muito tempo, no Brasil, a licença-paternidade ficou conhecida como aqueles “5 dias” que o pai tinha para acompanhar os primeiros momentos do bebê. Mas esse direito mudou. A nova lei amplia a licença-paternidade de forma gradual e cria o salário-paternidade, trazendo uma nova forma de olhar para o cuidado com os filhos e para a presença dos pais desde o início da vida da criança. 

Mas afinal: como era antes? Como fica agora? E quando essa mudança começa a valer? 

Vamos explicar de um jeito simples. 

Como era a licença-paternidade antes? 

Antes da nova lei, a regra geral da licença-paternidade era de 5 dias. 

Esse prazo vinha do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, o ADCT, que dizia que, até a criação de uma lei específica sobre o tema, a licença-paternidade seria de cinco dias. Esse direito já estava previsto na Constituição Federal como um direito dos trabalhadores, mas ainda faltava uma regulamentação mais completa. 

Na prática, funcionava assim: quando o filho nascia, o trabalhador com carteira assinada podia se afastar do trabalho por 5 dias, sem prejuízo do salário. 

Algumas empresas já ofereciam um período maior, principalmente quando participavam do Programa Empresa Cidadã. Nesse caso, a licença-paternidade podia ser prorrogada por mais 15 dias, chegando a 20 dias no total, desde que cumpridas as regras do programa. 

Ou seja: para a maioria dos trabalhadores, o padrão era 5 dias. Para quem trabalhava em uma empresa participante do Empresa Cidadã, poderia chegar a 20 dias. 

O que mudou com a nova lei? 

Em 31 de março de 2026, foi sancionada a Lei nº 15.371/2026, que amplia a licença-paternidade e cria o salário-paternidade. A mudança regulamenta um direito previsto na Constituição e amplia a proteção às famílias brasileiras. 

A principal mudança é que a licença-paternidade deixa de ficar limitada aos 5 dias como regra geral e passa a aumentar de forma gradual. 

O calendário será assim: 

2027: 10 dias de licença-paternidade 
2028: 15 dias de licença-paternidade 
2029: 20 dias de licença-paternidade 

Essa ampliação vale para nascimento de filho, adoção ou guarda judicial para fins de adoção, sem prejuízo do emprego e do salário. 

Antes e agora: o que muda na prática? 

Antes, o trabalhador tinha, em regra, 5 dias para estar presente nos primeiros cuidados com o bebê. 

Agora, a ideia é ampliar esse tempo aos poucos, até chegar a 20 dias. Isso significa mais presença nos primeiros momentos da criança, mais apoio para a família e mais divisão das responsabilidades de cuidado. 

E aqui vale um ponto importante: a licença-paternidade não é “folga”. É um direito ligado ao cuidado. 

É o tempo para acompanhar os primeiros dias, ajudar na adaptação da casa, participar da rotina do bebê, apoiar a mãe ou a outra pessoa responsável e estar presente em um momento que exige muito da família. 

O que é o salário-paternidade? 

Outra novidade da lei é a criação do salário-paternidade. 

Esse benefício garante renda durante o período de afastamento, funcionando como uma proteção para que o trabalhador possa exercer a licença sem prejuízo financeiro. Segundo o Governo Federal, a nova legislação amplia a proteção social para além dos trabalhadores com carteira assinada. 

A lei também passa a incluir outros grupos, como MEIs, trabalhadores domésticos, trabalhadores avulsos e segurados especiais, ampliando o acesso à licença e ao novo benefício previdenciário. 

Isso é importante porque nem toda família está organizada dentro do modelo tradicional de trabalho com carteira assinada. Ao incluir mais trabalhadores, a lei reconhece que o cuidado também precisa chegar a diferentes realidades. 

A licença vale só para nascimento? 

Não. A nova lei também contempla casos de adoção e guarda judicial para fins de adoção. 

Esse ponto é essencial, porque o cuidado não começa apenas com o nascimento biológico. Crianças adotadas ou sob guarda também precisam de adaptação, vínculo, presença e acolhimento nos primeiros momentos da nova rotina familiar. 

O que muda para as empresas? 

Para as empresas, a mudança exige atenção aos prazos e à organização interna. 

Com a ampliação gradual da licença-paternidade, será necessário ajustar processos de RH, comunicação com colaboradores, gestão de afastamentos e planejamento das equipes. 

Mais do que cumprir uma obrigação legal, essa mudança também conversa com uma pauta cada vez mais presente nas empresas: o cuidado com as pessoas. 

Quando uma empresa entende a licença-paternidade como parte da vida real do trabalhador, ela fortalece uma cultura mais humana, mais responsável e mais conectada com as necessidades das famílias. 

Por que essa mudança é importante? 

A ampliação da licença-paternidade representa uma mudança de visão. 

Durante muito tempo, o cuidado com os filhos foi tratado quase como responsabilidade exclusiva da mãe. Mas a rotina de uma criança envolve presença, vínculo, divisão de tarefas e apoio. E isso também passa pelo pai. 

Ter mais dias de licença ajuda a fortalecer a participação paterna desde o começo, além de contribuir para uma divisão mais equilibrada das responsabilidades dentro de casa. 

Também ajuda a trazer o tema para dentro das empresas: afinal, trabalhadores não deixam a vida pessoal do lado de fora quando entram no trabalho. Família, saúde, rotina e cuidado fazem parte da vida de quem trabalha. 

Resumindo 

Antes, a licença-paternidade era, em regra, de 5 dias. Em empresas participantes do Programa Empresa Cidadã, podia chegar a 20 dias, com a prorrogação de 15 dias. 

Com a nova Lei nº 15.371/2026, a licença-paternidade será ampliada de forma gradual: 

10 dias a partir de 2027 
15 dias a partir de 2028 
20 dias a partir de 2029 

A lei também cria o salário-paternidade e amplia a proteção para MEIs, trabalhadores domésticos, avulsos e segurados especiais. 

Green explica 

A licença-paternidade é mais do que um prazo no calendário. É sobre presença, cuidado e participação nos primeiros momentos da vida de uma criança. 

E quando o mundo do trabalho muda, a Green ajuda você a entender de um jeito simples, direto e sem complicação.